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sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

A lenda do Umbu - Causos de Galpão

O Umbu é uma árvore grande e folhuda que cresce no pampa. Muitas vezes é solitária, erguendo-se única no descampado e atrai os campeiros, os tropeiros, os carreteiros que fazem pouso sob sua proteção. O tronco do Umbu é muito grosso, as raízes fora da terra são grandes, mas ninguém usa a madeira da árvore - não serve para nada, mesmo. É farelenta, quebradiça, parece feita de uma casca em cima da outra.

Por quê?

Pois não vê que quando Deus Nosso Senhor criou o mundo, ao fazer as árvores perguntava a cada uma delas o que queria na terra. A laranjeira, o pessegueiro, a macieira, a pereira e assim por diante, quiseram frutos deliciosos. O pau-ferro, o angico, o ipé, o açoita-cavalo, a guajuvira, pediram madeira forte.

- E tu, Umbu, queres também frutos doces e madeira forte?

- Nada, Senhor. - respondeu o Umbu. - Eu quero apenas folhas largas para as sesteadas dos gaúchos e uma madeira tão fraca que se quebre ao menor esforço.

- A sombra, Eu compreendo - disse o Senhor. - Mas porque a madeira fraca?

- Porque eu não quero que algum dia façam dos meus braços a cruz para o martírio de um justo.

E Deus Nosso Senhor, que teve o filho crucificado, atendeu o pedido do Umbu.
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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Nossa amante é muito mais linda

O casal está jantando no restaurante quando chega uma loira toda gostosa e tasca le um beijo na boca dele...
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Pai quati - Causos de Galpão

Em meados do século passado, um fato curiosíssimo prendia a atenção dos moradores dos Banhados, no segundo distrito de Santa Maria.

Era o caso que, numa ou noutra estância, lá naquelas bandas, de quando em quando, era encontrada uma esteira nova, sem uso, ou um balaio nas mesmas condições, objetos esses que mãos invisíveis iam à noite, ocultamente, deixar ali em lugar que fossem vistos logo pela manhã, ao começar a faina diária.

De onde vinham aqueles objetos? Quem os teria trazido? Ninguém atinava. Era assim, em verdade, um caso surpreendente.

Agora, o reverso da medalha. Em tais ocasiões sempre desaparecia um facão, machado ou serrote que ficasse ao relento e, algumas vezes, uma manta de charque que repousava no varal, ou uma ovelhinha...

É incrivel, diziam todos. Na impossibilidade de ser desvendado o mistério, a fantasia popular deleitava-se em tecer, em torno do caso, estranhos comentários, onde sempre o demônio entrava como figura obrigada.

A princípio, o povo, muito especialmente as mulheres, não tocava nos objetos achados em tais condições, atribuindo o fato a artes do diabo, ou pelo menos a feitiço, em que eram mestres os negros escravos trazidos da costa da África.

Mas com o tempo, verificando-se que as esteiras e os balaios deixados não faziam mal a ninguém, ao contrário eram uma utilidade evidente, a prevenção desapareceu chegando ao ponto de algumas pessoas deixarem à noite, na mangueira ou na frente da casa, facas, tesouras, cordas, galinhas atadas pelas pernas, na esperança de ser qualquer dessas coisas trocadas por uma esteira ou um balaio.

Durante anos, tais transações foram, naquele lugar, o fato mais natural do mundo, tendo perdido seu cunho sensacional, por ter caído no domínio das coisas comuns.

Em certa ocasião, escravos que andavam à procura de mel em sua mata virgem, dois quilômetros mais ou menos distantes da casa da estância, perceberam que do centro da floresta elevava-se espiralando uma tênue nuvem de fumaça branca.

Surpresos, procurando desvendar o enigma, um dos pretos galgou a copa de uma árvore gigantesca e lançando o olhar em direção ao ponto de onde saía o fumo em novelo, descobriu um brasido no meio da mata espessa, onde negro horrendo se entretinha em preparar um assado.

Descendo, comunicou aos parceiros a descoberta, resolvendo capturar o indivíduo que, naturalmente, era algum negro fugido.

Armados até os dentes, os escravos puseram em cerco o desconhecido e, avançando cautelosamente, caíram sobre ele, subjugando-o, apesar da resistência tenaz oposta pela vítima.

Era um negro de proporções avantajadas e de aspecto medonho, em razão do cabelo emaranhado e pelo hirsuto que lhe cobria a cara, onde os olhos cintilavam como brasas. Cobria-lhe o peito e as costas uma couraça de pele de quati costurada como cipó, e prendia aos quadris uma espécie de tanga pele do mesmo animal.

Levando à estância e apresentado o novo espécime da nossa fauna a quem logo chamaram de Pai Quati em razão de sua indumentária, nada foi possível apurar, de momento, pois o desconhecido não compreendia a língua portuguesa.

Chamados alguns pretos nascidos na costa da África para se entenderem com Pai Quati, um deles o compreendeu afinal. Eram nascidos na mesma região.

Foi, então, explicado o mistério das esteiras e balaios!

O caso era o seguinte: Tendo chegado o referido preto ao Rio Pardo, em uma leva de negros para serem vendidos em leião, conseguiu ele evadir-se e, atravessando sertões, precipícios e banhados, lutando com feras e as intempéries, chegou são e salvo ao segundo distrito de Santa Maria, onde, dentro da mata virgem, armou sua choupana e descansou, em termo.

Bom por índole e honesto por instinto, não quis ele roubar os utensílios de que precisava, nem a carne que comia quando lhe faltava caça. Assim, perito que era na manufatura de cestos e esteiras, meio de vida que tinha em sua terra, dedicou-se ali, a esse mister, trabalhando, afanosamente, na fabricação de tais objetos para à noite, misteriosamente, trocá-los em uma ou outra estância, por aquilo que achasse à mão e que lhe pudesse ser útil.

Em breve, a comovente estória do Pai Quati, correndo de boca em boca, encheu a redondeza. Todos queriam vê-lo e admirá-lo.

Uma auréola glorificadora circundou-lhe a negra fronte, compensando os dias de amargura. Livre, convencido de que não seria objeto de compra e venda, Pai Quati começou a trabalhar de peão aqui e ali, sem nunca fixar-se definitivamente em uma estância, pois não raro abandonava tudo para ir, novamente, viver dentro do mato, caçando quatis.

Fonte: Página do Gaúcho
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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

A lenda do Quero-quero em duas versões

 
Diz a lenda que lá no começo do mundo, quando a Sagrada família, fugia para o Egito, perseguida pelos soldados do Rei Heródes. Muitas vezes precisou viajar a noite e esconder-se nos matos e campos e durante o dia afugentar-se em grutas da montanha para fugir do sol escaldante e para não ser vista e morta pelos soldados. E quando os perseguidores chegavam perto, precisava estar escondida, em muito silêncio, para não ser encontrada.

Numa dessas vezes, Nossa Senhora escondendo o Divino Gurí (Jesus), pediu aos pássaros e todos aos animais que fizessem silêncio para que os soldados não os encontrassem. Porque os soldados poderiam ouvir e vir atacá-los.
Prontamente todos os bichos acataram o pedido de Nossa Senhora. Até o burrico parecia entender o perigo que a família estava correndo: não empacava e pisava macio. Não fazia o menor ruído ao mudar os passos, parecia que ele sabia de sua grande missão, que era conduzir a sua divina carga ao salvamento. As aves não voavam, ficavam inertes e nem batiam asas.

Mas o quero-quero, alheio aos acontecimentos e por ser uma ave alarmista, sempre alerta, querendo avisar cantando quando alguém se aproximava, não cessava de gritar a sua voz aguda. Não atendeu ao pedido de Nossa Senhora e permaneceu atacando e queria porque queria cantar, quero, quero, quero... Por isso, foi amaldiçoado por Nossa Senhora e até hoje continua querendo e querendo... e sem nada encontrar. 

Versão Gaúcha

Quando a família interiorana do Rio Grande do Sul, Seu Zé e Dona Maria, com seus dois piazitos, um ainda de colo, deixava o campo rumo a cidade grande em busca de sonhos, levava nas costas os poucos pertences, partindo acuada aos roncos de tratores, deixando casa e terras tomadas pelo banco, com secura na alma e a poeira encobrindo os rastros. O calor demasiado do sol obrigava uma sesta pra um sono do piá no colo da mãe à beira da lagoa. Seu Zé, matava a sede sem gestos, nem palavras, sentindo cada palmo de chão que ficou pra trás. Os bichos entendiam a penosa partida da família em silencio. A rã, quieta como uma pedra nas águas. Um casal de socós nem mudava os passos. Mas o afoito casal de quero-queros, com voos rasantes atacavam a família, não deixando o piazinho ninar com os gritos agudos de quero, quero, quero...

Não era hora para "tanto querer". A mãe, sentindo-se incomodada, amaldiçoou: - Tu também hás de "deixar o campo com seus filhos", quero-quero! Por isso que, atualmente, nas idas e vindas pela cidade, encontram-se, na torreira do sol forte, os quero-queros, num viver emprestado, trato racionado, nos pátios das casas e trevos de asfalto, correndo atrás dos filhos para livrar de gatos e pneus de carros... Mas continuam afoitos querendo e querendo!

Fonte: Pioneiro
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quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Os dez mandamentos do vagabundo

1.Viva pra descansar e descance para viver.
2.Ame sua cama como a si mesmo
3.Se uma lesma tentar te ultrapassar, dê a preferência
4.Descanse de dia pra poder dormir melhor a noite
5.Nunca faça hoje o que se pode fazer amanhã.
6.O trabalho é sagrado. Não toque nele
7.Se ver alguém descansando ajude essa pessoa a descansar.
8.Calma, nunca ninguém morreu por descansar
9.Quando sentir desejo de trabalhar, sente-se e espere que o desejo passa
10.Lembres-se, trabalho é saúde, portanto deixe para os doentes.



Piadas: http://www.piadas.com.br/
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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Jogo do osso - Coisas do Rio Grande do Sul

Você já imaginou usar o "garrão" do boi em um esporte? No Rio Grande do Sul isso acontece há muitas gerações, no chamado Jogo do Osso. O astrágalo se transforma na tava, uma peça que incluiu o osso e duas chapas, uma de bronze e a outra de ferro. Ela é arremessada e, dependendo da forma que cair, são contabilizados pontos positivos ou negativos. 

O Jogo do Osso é um dos sete esportes tradicionalistas que são praticados semanalmente nos Centros de Tradições Gaúchas (CTG's) espalhados por todo Estado e país.

O que é: Jogo entre equipes em que o objetivo é marcar a maior pontuação ao arremessar a tava, que é o osso do garrão do boi com chapas de bronze e ferro ou simplesmente o lado serrado e marcado..

Equipes: 3 ou 4 pessoas (em caso de 4, a menor pontuação é descartada). É possível jogar sozinho e concorrer apenas na pontuação individual.

Onde jogar: Cancha com o mínimo de 7m e máximo de 9m (entre os picadores). Nela, é marcado o “picador”, um espaço com terra molhada ou argila de no mínimo 2m e máximo 3m de comprimento por 2m de largura em cada raia. Dentro dele deve ser delimitada a bacia (50cm x 50cm).

Como jogar: Cada competidor faz 20 arremessos (10 de cada lado da cancha) e os pontos são somados ou diminuídos. As jogadas são intercaladas entre as equipes e os pontos são definidos pela posição da tava: sorte clavada (2 pontos positivos); sorte corrida (1 ponto positivo); culo clavado (2 pontos negativos) e culo corrido (1 ponto negativo). A chapa de bronze corresponde a “sorte” e a de ferro ao “culo” e é a posição da tava no solo (cravada ou não) que define se será sorte ou culo. Ao final dos arremessos, o pior resultado de cada equipe é descartado na contagem e o trio que tiver mais pontos é o vencedor!

Posições que o osso cai.

SUERTE - Parte ganhadora para o alto, ou para cima.
CULO - Parte ganhadora para baixo.
CLAVADA - Quando a saliência de clavar enterra-se no chão, ficando a tava em diagonal sobre o solo, temos a "clavada" - ganhadora quando a parte superior, exporta, fica para cima. É a "suerte clavada", o tiro-rei das canchas do jogo do osso.
CULO CLAVADO - Idem ao anterior, mas exposta a face perdedora.
SUERTE DECLINADA - Tava estabilizada quase na vertical, com face ganhadora exposta.
CULO DE ESPELHO - Idem ao anterior, mas com face perdedora exposta.
GUESO - Posição que não é nem "suerte" nem "culo", com qualquer dos lados não ferrados para cima.
"31" OU "TOURO" - Variação do güeso com a tava exatamente na vertical.
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Eu não gosto de você, Papai Noel! - Tente não chorar

Para baixar o áudio desse poema na minha voz, ou ouvir, clique aqui.


Eu não gosto de você, Papai Noel!
Também não gosto desse seu papel
de vender ilusões à burguesia.
Se os garotos humildes da cidade
soubessem do seu ódio à humildade,
jogavam pedra nessa fantasia.

Você talvez nem se recorde mais.
Cresci depressa, me tornei rapaz,
sem esquecer, no entanto, o que passou.
Fiz-lhe um bilhete, pedindo um presente
e a noite inteira eu esperei, contente.
Chegou o sol e você não chegou.

Dias depois, meu pobre pai, cansado,
trouxe um trenzinho feio, empoeirado,
que me entregou com certa excitação.
Fechou os olhos e balbuciou:
“É pra você, Papai Noel mandou”.
E se esquivou, contendo a emoção.

Alegre e inocente nesse caso,
eu pensei que meu bilhete com atraso,
chegara às suas mãos, no fim do mês.
Limpei o trem, dei corda,
ele partiu dando muitas voltas,
meu pai me sorriu e me abraçou pela última vez.

O resto eu só pude compreender quando cresci
e comecei a ver todas as coisas com realidade.
Meu pai chegou um dia e disse, a seco:
“Onde é que está aquele seu brinquedo?
Eu vou trocar por outro, na cidade”.

Dei-lhe o trenzinho, quase a soluçar
e como quem não quer abandonar
um mimo que nos deu, quem nos quer bem,
disse medroso: “O senhor vai trocar ele?
Eu não quero outro brinquedo, eu quero aquele.
E por favor, não vá levar meu trem”.

Meu pai calou-se e pelo rosto veio descendo um pranto que, eu ainda creio,
tanto e tão santo, só Jesus chorou!
Bateu a porta com muito ruído, mamãe gritou
ele não deu ouvidos, saiu correndo e nunca mais voltou.

Você, Papai Noel, me transformou num homem que a infância arruinou, sem pai e sem brinquedos.
Afinal, dos seus presentes, não há um que sobre
para a riqueza do menino pobre
que sonha o ano inteiro com o Natal.

Meu pobre pai doente, mal vestido,
para não me ver assim desiludido,
comprou por qualquer preço uma ilusão,
e num gesto nobre, humano e decisivo,
foi longe pra trazer-me um lenitivo,
roubando o trem do filho do patrão.

Pensei que viajara,
no entanto depois de grande,
minha mãe, em prantos,
contou-me que fôra preso
e como réu, ninguém a absolvê-lo se atrevia.
Foi definhando, até que Deus, um dia,
entrou na cela e o libertou pro céu.

Poema de Aldemar Paiva.
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Dieta do ovo - Emagreça em duas semanas

Se você quer resultados rápidos na sua luta para perder peso, a dieta do ovo cozido é perfeita.
Pelo menos é o que garantem os seus praticantes, espalhados por todo o mundo e que não param de aumentar, graças ao sucesso desta receita nas redes sociais.
Apenas alguns ovos, alguns legumes e algumas frutas cítricas compõem o cardápio desta dieta.
E isso já é o suficiente para fazê-la completa e proporcionar grandes resultados. Ele irá acelerar o metabolismo e queimar a gordura. Além disso, você não vai sentir fome.

Durante a dieta, você deve beber muita água para hidratar o corpo e também facilitar a desintoxicação. Tome de oito a dez copos por dia.
Esta dieta tem regras simples. Você não pode comer junk food, como doces, pizza e hambúrguer.
Também não pode consumir refrigerante e bebida alcoólica.
Além disso, limite o sal e o açúcar,
E, se mantiver uma rotina alimentar saudável no pós-dieta, certamente não vai recuperar o peso perdido.

Este é o menu das duas semanas de dieta:

Semana 1

-Segunda-feira

Café da manhã: 2 ovos cozidos e 1 fruta cítrica.
Almoço: 2 fatias de batata-doce e 2 maçãs.
Jantar: 1 prato grande de salada e frango.

Terça-feira

Café da manhã: 2 ovos cozidos e 1 fruta cítrica.
Almoço: salada de legumes verdes e frango.
Jantar: salada de legumes, 1 laranja e 2 ovos cozidos.

-Quarta-feira

Café da manhã: 1 fruta cítrica e 2 ovos cozidos.
Almoço: queijo magro, 1 tomate e 1 fatia de batata-doce.
Jantar: salada e frango.

Quinta-feira

Café da manhã: 2 ovos cozidos e 1 fruta cítrica.
Almoço: frutas.
Jantar : salada e frango cozido no vapor.

Sexta-feira
Café da manhã: como no dia anterior.
Almoço: legumes cozidos e 2 ovos.
Jantar: salada e peixe grelhado.

Sábado

Café da manhã: como no dia anterior.
Almoço: frutas.
Jantar: frango e legumes cozidos no vapor.

Domingo

Café da manhã: 2 ovos cozidos e 1 fruta cítrica.
Almoço: salada de tomate, legumes cozidos no vapor e frango.
Jantar: legumes cozidos no vapor.

Semana 2

-Segunda-feira

Café da manhã: 2 ovos e 1 fruta cítrica.
Almoço: salada + frango.
Jantar: 1 laranja, salada e 2 ovos

Terça-feira

Café da manhã: como no dia anterior.
Almoço: 2 ovos + legumes cozidos no vapor.
Jantar: salada e peixe grelhado.

Quarta-feira

Café da manhã: como no dia anterior.
Almoço: salada + frango.
Jantar: 1 laranja + salada de legumes + 2 ovos.

Quinta-feira

Café da manhã: como no dia anterior.
Almoço: legumes cozidos no vapor + queijo de baixo teor de gordura + 2 ovos.
Jantar: salada + vapor de frango

Sexta-feira

Café da manhã: como no dia anterior.
Almoço: salada de sardinha.
Jantar: salada + 2 ovos

Sábado

Café da manhã: como no dia anterior.
Almoço: salada + frango.
Jantar: frutas.

Domingo

Café da manhã: como no dia anterior.
Almoço: legumes cozidos no vapor + frango.
Jantar: como o almoço.

Viu como o cardápio é simples?
Para resultados ainda melhores, pratique exercícios pelo menos meia hora por dia.

IMPORTANTE!

Esta dieta quase não tem carboidratos e esse é um dos motivos pelos quais ela funciona.
Mas você precisa consultar um médico antes de iniciá-la.
Aliás, nunca faça dietas como esta sem antes consultar um médico.
Mesmo no caso desta, que não vai fazer você passar fome.

Fonte: Cura pela natureza.
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Natal Galponeiro


Autoria: Jayme Caetano Braun

A cuia do chimarrão,
É o cálice do ritual,

E o galpão é a Catedral
Maior da terra pampeana,
Que de luzes se engalana,
Para esperar o NATAL.

A cuia aquece na palma
Da mão da indiada campeira,
Dentro da sua maneira,
Rezando e chairando a alma,
Para recuperar a calma,
Que fugiu do mundo inteiro.
Enquanto o estrelão viajeiro,
Já vem rasgando caminho,
para anunciar o "Piazinho",
A Virgem e o Carpinteiro.

Em nome do Pai,
- Do Filho e do Espírito Santo,
É o chimarrão que levanto,
E o vento faz estribilho,
A prece do andarilho,
Ao Piazito Salvador,
Filho de Nosso Senhor,
Do Espírito e do Pai,
De volta a terra aonde vai,
Falar de novo em amor!

Tem sido assim - dois mil anos,
Ninguém sabe - mais ou menos,
Vem conviver com os pequenos,
De todos os meridianos,
E repetir aos humanos,
As preces de bem querer.
Quem sabe até - pode ser,
Que um dia seja atendido,
E o mundo velho perdido,
Encontre paz para viver.

Ele sabe da apertura,
Em que vive o pobrerio,
A fome - a miséria - o frio,
Porque passa a criatura,
Mas que - inda restam - ternura,
Amizade e esperança,
É que pode, a cada andança,
Mesmo nos ranchos sem pão,
Aliviar o coração,
Num sorriso de criança!

Pra mim - que ouvi na missões,
Causos de campo e rodeio,
Do "Negro do Pastoreio",
Cruzando pelos rincões,
Das lendas de assombrações,
E cobras queimando luz.
Foste - Menino Jesus,
O meu sinuelo de fé,
Juntando ao índio Sepé,
O Nazareno da Cruz!

E a Santa Virgem Maria,
Madrinha dos que não tem,
Fez parte - sempre - também,
Da minha filosofia,
Eu que fiz de Sacristia,
Os ranchos de chão batido,
E que hoje - encanecido,
Sou sempre o mesmo guri,
A bendizer por aí,
O pago que fui parido!

E o Nazareno que vem,
Das bandas de Nazaré,
Chasque divino da fé,
Rastreando a luz de Belém,
Ele que vai morrer também,
Pra cumprir as profecias.
É Natal - nasce o MESSIAS,
Salve o Menino Jesus!
Mas o que fogem da luz,
O matam todos os dias.

Presentes - "Papais Noéis",
Um ano esperando um dia,
Quando a grande maioria,
Sofre destinos cruéis.
O amor pesado a "mil-réis",
E mortos vivos que andam,
Instituições que desandam,
Porque esqueceram JESUS,
O que precisa, é mais luz,
No coração dos que mandam!

Que os anjos digam amém,
Para completar a prece,
Do gaúcho que conhece,
As manhas que o tigre tem.
Não jogo nenhum vintém,
Mesmo sendo carpeteiro,
Mas rezo um Te-Déum campeiro,
Nessa Catedral selvagem,
Pra que faça Boa Viagem,
O enteado do Carpinteiro!
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domingo, 18 de dezembro de 2016

O estranho conhecendo a gauchada - Causo de Galpão

Um mascate do norte, cansado de tentar a sorte em seu Estado natal, resolveu rumar para o Rio Grande do Sul, onde as campanhas desertas ofereciam esperanças de melhor negócio. Quando transmitiu este seu plano aos amigos, eles apoiaram a ideia, mas não deixaram de fazer uma importante recomendação:
- Mas muito cuidado, velho! Cuidado com os gaúchos, pois são gente de faca na bota, como dizem por lá. Andam armados até os dentes, e por pouca coisa estão furando barriga. Cuidado! Mas ele não se ia assustar por tão pouco! Haveria de saber lidar com os gaúchos!... Assim, arrumou as malas e se tocou para o Sul. 
No Rio Grande, o seu primeiro contato foi com a capital. Não encontrou bombachudo algum, nem sequer gente de fala grossa e modos de valentão. Tudo mentira a história dos gaúchos! Mas três dias depois, começava a trabalhar. Carregou-se de mil e uma bugigangas e seguiu para uma cidade do interior. 
Ali comprou dois burros, montou num e aproveitou o outro como cargueiro... e se tocou pela campanha adentro. Foi quando começou a conhecer a gauchada. Ia cruzando, pelo caminho, por cavaleiros imponentes, chapéu quebrado na testa, lenço esvoaçante, revólver brilhando na cintura. Nos ranchos a que chegava, o voto de boas-vindas era dado pela cachorrada enorme, ladrando furiosa e mordendo a cola do burro.
 E na primeira venda em que parou, ao pedir um cigarro a um dos muitos que ali se encontravam – desculpa pra iniciar conversa e depois entrar na oferta das mercadorias – chegou a empalidecer quando, ao mesmo tempo que lhe alcançava um todo de fumo, o homem puxou da guaiaca uma dois palmos que até parecia espada, e falou, numa voz de trovão:
 - Pique, no más! Tudo aquilo, acumulando-se, fez o mascate recordar a recomendação dos companheiros: - Muito cuidado com os gaúchos! Por muito pouco estão matando gente... Mas o nortista ia se dando às mil maravilhas entre os sul-riograndenses.
 Naquela primeira semana que passara na campanha, ganhara mais dinheiro que num mês inteiro batendo no rancho dos sertanejos de sua terra. Os campeiros do Sul sempre tinham alguma prata na guaiaca, e davam um dente por um espelhinho com retrato de moça ou um tubo de brilhantina bem cheirosa. 
O gaúcho não é ruim não! – exclamava o mascate para si mesmo. Logo, porém, acrescentava: Mas seria muito melhor se não usasse aquele chapéu de aba larga e pistola na cinta... Aquelas pistolas e aquelas adagas é que lhe tiravam o sossego. Já estava há uma semana entre a gauchada, e não podia se queixar de nada. Mas – tinha certeza! – a primeira vez que se desacertasse com um malvado qualquer... Nem era bom pensar! E eis que, para aumentar a tensão nervosa do mascate, rebentou por aqueles dias a revolução de 23. 
Era só gente gritando nos bolichos, era só notícias de peleias brabas, era só aqueles grupos de voluntários levantando polvadeira nas estradas rumo aos acampamentos revolucionários. E o mascate no meio daquilo tudo! Santo Deus! Uma tarde, cruzando os campos da Serra, o mascate se perdeu por um emaranhado de caminhos, e já nem sabia por onde andava quando – noite fechado – se encontrou á frente de um rancho. Havia luz lá dentro: sinal de gente. O melhor era pedir pouso por ali mesmo. E, cabresteando o cargueiro, chegou ao terreiro da casa. – Oh, de casa! Boa noite! No mesmo instante, apagou-se o lampião que aluminava o rancho e se fez silêncio completo. Novos gritos. Nada. E o homem já estava com a alma na boca, sem entender aquele mistério, quando alguém abriu uma das janelas e indagou quem se encontrava ali. 
O mascate explicou quem era e o que estava fazendo, perdido naqueles campos. Desceu novamente sobre o terreiro um silêncio de morte. Para cortá-lo, gemeu a porta do rancho, e desenhou-se no escuro o vulto de um homem trazendo á mão um revólver – aquilo brilhava até de noite! Calmamente, o homem aproximou-se do mascate, observou o burro, voltou-se depois para o cargueiro, bateu nas bolsas de couro e enfim, baixando a arma, falou: - Apeie e passe pra dentro, amigo! Que alívio! O mascate limpou o suor da testa e apeiou. 
O lampião fora novamente aceso, e ele pode ver quem eram os estranhos habitantes daquela solidão. Recostando a uma mesa, com a cara reluzente alumiada de perto pelo lampião – a luz vinda de baixo enchia o rosto de sombras – achava-se um negro de avantajada estatura. E, ali ao lado do mascate, o homem que o recebera, com espessa barba a cobrir-lhe boa parte do rosto. – Se abanque­ – ofereceu o barbudo, apontando o cepo. E logo continuava – Peço que me desculpe estes modos de tratar. Mas o senhor sabe: a revolução anda prendendo fogo nestes campos e muita gente se aproveita da balbúrdia. Nunca falta um desalmado, nessas ocasiões, pra fazer das suas. Por isso nos enchemos de mil cuidados. 
Eu e o Tuca – o crioulo esse – vivemos solitos neste fundo de invernada, cuidando o gado de seu Pedro Prestes, e temos de resguardar o nosso couro por conta própria. Dizer que até o Cuidado, o cusco, morreu traz-antontem, mordido de cruzeira!... Até isso pra nos deixar ainda mais desamparados! Porque, lê digo, o rancho mais perto daqui fica obra de légua e pico... Um fim de mundo! Nem sei como o senhor veio bater com os costados por aqui... Ainda meio desconfiado, o mascate explicou que viajava guiado apenas por informações. Não conhecia nada daquelas paragens, Pois era do Norte. – Bem me pareceu, pela voz, que era de pago estranho – interrompeu o campeiro. – Mas não faça cerimônia: está como se fosse em seu rancho! – Obrigado – o e mascate já se sentia mais dono de si.
 – Bem... mas me dêem licença, que eu vou descarregar o burro...

 – A vontade, companheiro! E pode botar a carga aqui mesmo. É bem resguardado do sereno... Agradecendo a gentileza – mas com a voz ainda meio arrastada – o mascate retirou-se da saleta e começou a descarregar o cargueiro. E já ia levando as bolsas para o rancho quando, por uma fresta da parede de barro, ouviu, num fim de conversa, o posteiro dizer ao negro: - Muita cousa deve trazer esse mascate...
 E quem sabe se não vamos sair lucrando com a pousada?... Vamos tratar bem o homem. Assim, enquanto eu puxo conversa, vá preparando as cousas: lhe dê bastante comida, e depois mate!

 À voz de matar, o mascate não teve dúvidas: largou suas bugigangas no chão, correu ao burro – graças a Deus não o desencilhara ainda! – e descascou-lhe o rebenque. Com o barulho do trote largo, corrêramos dois homens à porta do rancho. Mas o bater dos cascos já ia longe... E, até hoje, o posteiro do seu Pedro Prestes não sabe explicar porque o mascate saiu disparando de seu rancho e deixou, de presente, sem que nem pra quê, toda aquela carga de fazendas, brilhantinas cheirosas e espelhinhos com retrato de moça...
 Nem desconfiara aquele campeiro que o mascate nortista não sabia que também se chamava de mate aquela bebida quente que os gaúchos tomavam a toda hora e a todo instante: o chimarrão!

Causo de Barbosa Lessa.
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sábado, 17 de dezembro de 2016

Fogo não se apaga a mais de 200 anos em cidade gaúcha - Curiosidades

A chama que simboliza as comemorações da Semana Farroupilha no mês de setembro também se funde à identidade gaúcha. No interior do Rio Grande do Sul, um fogo de chão aceso em um galpão de uma fazenda se mantém aceso há mais de 200 anos.

Na Fazenda Boqueirão, em São Sepé, na Região Central e a cerca de 300 quilômetros de Porto Alegre, vive a família Simões Pires, que tem raízes e presença na história do estado desde o século 18. É terreno deles que se mantém intacto o galpão onde o fogo foi aceso pela primeira vez. O espaço se torna quase um ponto turístico.

“A gente associa à época que o galpão foi construído, que foi no inicio de 1800. Então, provavelmente, desde essa época que existe o fogo”, afirma Gilda Simões Pires, proprietária das terras. Muitos membros da família foram ligados à politica de São Sepé e ajudaram a elaborar um pouco da história do estado.

Preservada do calor, a cadeira usada por David Canabarro é relíquia. Na casa, há uma réplica, já que a original foi doada para o museu da cidade. “A gente sempre pergunta para as pessoas de uma maneira ou outra o que sentiu aqui dentro do galpão, e principalmente pessoas que têm suas raízes no interior do estado dizem que sentem alguma coisa muito emocionante. É voltar no tempo”, completa.

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Enxergar Deus nas pequenas coisas - Mensagem

Mais uma mensagem que trago pra você refletir.

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Os dez mandamentos do Cavaleiro

1º - Preservar, acima de todas as coisas, o bem estar do cavalo.
2º - Em qualquer querência que ande sempre portar-se com fidalguia e educação.
3º - Honrar e cultivar suas tradições.
4º - Ter por obrigação ao cavalgar, acampar e, até mesmo, passear em grupo ou solitário, a preservação da natureza.
5º - Respeitar idéias, e ideais mesmo que contrário aos seus, evitando com isso, as desavenças que nada constroem.
6º - Respeitar a propriedade, e os pertences alheios como se fossem seus.
7º - Respeitar nossos símbolos pátrios e cívicos.
8º - Ter sempre em mente, oportunizar e valorizar a participação das novas gerações.
9º - Sempre que possível, contribuir para amenizar azelas sociais.
10º - Sempre que houver possibilidade, incluir a sua família nas cavalgadas e festas.


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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Os tropeiros de estâncias

O gado que havia sido criado nas missões jesuíticas,após ter sido abandonado, procriou livremente nos pastos, formando grande rebanhos xucros.

Com o passar do tempo esses rebanhos começaram a despertar a atenção de paulistas, que viajavam até o Rio Grande do Sul para abater os animais, dos quais aproveitavam apenas o couro e o sebo.

Nesta época iniciou-se a mineiração no centro do pa;is e o gado sulino foi aproveitado como alimento (carne e leite) e como meio de transporte (animal de carga). Surgiu então a figura do tropeiro, que reunia e transportava o gado gaúcho para São Paulo e Minas Gerais..

Com o tempo, muitos dos locais onde os tropeiros paravam para reunir o gado tornaram-se estâncias, fazendas de criação de gado para venda.
Foi nas estâncias que surgiu o típico gaúcho, descendente de índios, portugueses ou espanhois.

Originalmente esta palavra designava o homem sem emprego fixo,que percorria os campos e
executava pequenos serviços, como a doma de animais.

Atualmente, todos aqueles que nascem no nosso estado são chamados de gaúchos.

A partir desse momento, a produção de charque se tornou o centro da vida econômica da região de Pelotas.

As charqueadas estavam situadas ao longo de rios que facilitavam o transporte para o porto de Rio Grande - de onde o charque seguia para o Rio e outros portos brasileiros.

Com o dinheiro gerado por elas, Pelotas se transformou. Essa renda permitiu que surgisse um grupo de famílias ricas e que cultivavam hábitos sofisticados.

Em contraparte dessa opulência eram as próprias charqueadas, onde os enormes grupos de escravos eram submetidos a um trabalho exaustivo.


Fonte: UFRGS
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Ditos gaúchos

-Quieto no Canto como guri cagado...


-Mais ligado que rádio de preso

-Mais curto que coice de porco

-Firme que nem prego em polenta

-Mais nojento que mocotó de ontem

-Saracoteando mais que bolacha em boca de véia

-Solto que nem peido em bombacha

-Mais curto que estribo de anão

-Mais pesado que sono de surdo

-Calmo que nem água de poço

-Mais amontoado que uva em cacho

-Mais perdido que cego em tiroteio

-Mais perdido que cachorro em dia de mudança

-Mais perdido do que cusco em procissão

-Mais faceiro que guri de bombacha nova

-Mais assustado que véia em canoa

-Mais angustiado que barata de ponta-cabeça

-Mais por fora que quarto de empregada

-Mais por fora que surdo em bingo

-Mais sofrido que joelho de freira em semana Santa

-Feliz que nem lambari de sanga

-Mais ansioso que anão em comício

-Mais apertado que bombacha de fresco

-Mais apressado que cavalo de carteiro

-Mais arisca do que china que não quer dar

-Mais atirado que alpargata em cancha de bocha

-Mais baixo que vôo de marreca choca

-Mais bonita que laranja de amostra

-De boca aberta que nem burro que comeu urtiga

-Mais chato que gilete caída em chão de banheiro

-Mais caro que argentina nova na zona

-Mais cheio que corvo em carniça de vaca atolada

-Mais constrangido que padre em puteiro

-Mais conhecido que parteira de campanha

-Mais comprido que puteada de gago

-Mais comprido que cuspe de bêbado

-Mais coxuda que leitoa em engorde

-Devagarzito como enterro de viúva rica

-Mais difícil que nadar de poncho

-Mais duro que salame de colônia

-Mais encolhido que tripa na brasa

-Extraviado que nem chinelo de bêbado

-Mais faceiro que mosca em tampa de xarope

-Mais faceiro que ganso novo em taipa de açude

-Mais faceiro que pica-pau em tronqueira

-Mais feliz que puta em dia de pagamento de quartel

-Mais feio que briga de foice no escuro

-Mais feio que sapato de padre

-Mais feio que paraguaio baleado

-Mais feio que indigestão de torresmo

-Mais firme que palanque em banhado

-Mais por fora que cotovelo de caminhoneiro

-Mais gasto que fundilho de tropeiro

-Mais gostoso que beijo de prima

-Mais grosso que dedo destroncado

-Mais grosso que rolha de poço

-Mais grosso que parafuso de patrola

-Mais informado que gerente de funerária

-Mais medroso que cascudo atravessando galinheiro

-Mais nervoso que potro com mosca no ouvido

-Quente que nem frigideira sem cabo

-Mais sério que defunto

-Mais sujo que pau de galinheiro

-Tranqüilo que nem cozinheiro de hospício

-Tranqüilo que nem água de poço

-Bobagem é espirrar na farofa

-Mais gorduroso que telefone de açougueiro

-Mais perdido que cebola em salada de frutas

-Mais feliz que gordo de camiseta

-Mais chato que chinelo de gordo

Obs.:Não perguntem de onde tirei isso, porque...

-Quem revela a fonte é água mineral!!!
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quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Nós somos bem mais machos que vocês - Causos de Galpão

Se eu falo no Candinho Bicharedo, primeiro, porque era contador de causo; segundo, porque ele peleou em 23, do lado dos Maragatos. Mas era Maragato dos quatro costados! Quando cercaram Uruguaiana, no primeiro dia de abril de 23, ele se juntou com as forças de Honório Lemes. E no combate do Ibicuí da Armada, onde Flores da Cunha atacou com ímpeto enorme, matou tanta gente que os urubus fizeram cerimônia: só comiam de capitão pra cima... Um piquete de Flores da Cunha aprisionou Candinho Bicharedo! Degola, não degola... disseram pro Flores degolar. - Não, o Candinho Bicharedo!! Que é isso! Vão tomar banho! O Candinho é uma glória aqui em Uruguaiana, aqui nesta região da Fronteira... Como é que vamos degolar? - Mas, ele é um contador de causo! Muito mentiroso! - Não, não, o Candinho é sagrado, disse o Flores. - Dêem ele prum soldado cuidar. O soldado ficou cuidando do Candinho. Todos os dias o Candinho ía ao ouvido do soldado: - "É, vocês passaram no Ibicuí da Armada (onde Honório Lemes ofereceu uma resistência muito grande), mas passaram porque tinham mais gente, mais arma. Nós semos muito mais machos que vocês!". Com o passar do tempo, o soldado foi enchendo a paciência e não agüentou mais. Passou o Candinho pro cabo! O cabo ouvia, todos os dias: "É. Vocês passaram no Ibicuí da Armada. Mas, passaram porque tinham mais gente, mais arma. Nós semos muito mais machos que vocês!". O cabo não agüentou e passou o Candinho pro sargento. O sargento passou pro capitão. O Capitão passou prum major; dizem até que era o major Laurindo Ramos, lá do Itaqui, que não era de laçar com sovéu curto... E ninguém mais agüentava o Candinho. Até que passaram pro próprio Flores da Cunha. - Olha, Coronel Flor, não agüentamos mais o Candinho! Só o senhor, pra dar um jeito na vida dele! - Mas, o que é que ele faz? - Ele fica incomodando a gente, à roda do dia. Já estava com vontade de mandá degolá! - Não, não e não! Me passem o Candinho. (O Dr. Flores da Cunha tinha sido intendente em Uruguaiana; comandava a Brigada do Oeste, na Fronteira da República, com o Coronel Neco Costa, aquela gente toda!). Bueno, e pro flores o Candinho cevou o mate, mas um mate véio espumando como apojo de brasina! Alcançou o mate pro Dr. Flores, que era Coronel Provisório, mas todo mundo chamava de General. Diz o Candinho: - "Óia, General Flor, vocês passaram no Ibicuí da Armada, mas só passaram porque tinham mais gente, mais arma que nós. Nós semos muito mais machos que vocês!". E o Flores, que já sabia da história e que também não era de pelar com a unha, respondeu: - Olhe, Candinho, tu é Maragato, não é? - "Sim, claro. Sou Maragato". - Agora, tu vai vestir a farda azul dos meus Provisórios e botar um lenço branco no pescoço, jurar a Bandeira do lado do Governo, senão vou te mandar degolar. Tu sabe que essa indidada tá louca pra te degolar; eu é que não deixei! Na voz da degola, o Candinho Bicharedo achou que já tava com idade de sentar praça! E sentou. Arrumaram uma farda azul pra ele. Aquele bonezinho, uma borda vermelha aqui em cima, e ataram um lenço branco bem nas pontas; mandaram o Candinho se apresentar pro Flores e bater continência. O Candinho, travestido de Chimango, se apresentou ao Flores. Enquadrou o corpo, bateu continência. O Flores chasqueou: - E agora, Candinho? O que tu acha do combate do Ibicuí da Armada? O Candinho não se apertou: - É, General. "Nós" passemos, mas só "passemos" porque "nós" tinha mais gente, mais arma. "Eles" são muito mais machos do que "nós" !!!

Causo de Antonio Augusto Fagundes.
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terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Você ouve a rádio Liberdade FM? Chegou a sua vez de descer a ripa ou elogiar

Amigos, quem me acompanha na rádio Comunitária Liberdade-FM pode agora dar a sua nota nos meus programas, reclamar ou sugerir. No link abaixo um formulário fácil e rápido pra você responder. Lembrando que você NÃO PRECISA SE IDENTIFICAR e também NÃO PRECISA RESPONDER TODAS AS PERGUNTAS.
No formulário você pode dar a sua nota, reclamação ou sugestão individualmente para cada locutor e também para cada programa.

Por favor seja bem verdadeiro em suas respostas, essa é a maneira de melhorarmos nossa programação. Se for pra elogiar, pode elogiar, se for pra "sentar a ripa", fique a vontade!
Através desse formulário podemos descobrir o ponto fraco e o ponto forte de cada comunicador bem como o público que está sendo melhor ou pior atendido, como idade e sexo por ex. Enfim, clique aqui e fique a vontade em responder somente o que te convém.

Dar sua nota agora.

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A casa assombrada em Três Palmeiras-RS

Mais uma história um tanto tenebrosa que acontece em Três Palmeiras-RS. Meu irmão Giovani e seu colega Junior dos Santos foram atender a um serviço em na Linha Pinheiro, no interior do município.
Era um antena parabólica que precisava ser calibrada, o serviço foi solicitado por telefone.
Foram os dois pela estrada conversando rumo a Vila Progresso, e depois pegaram rumo a Linha Pinheiro. Nenhum deles sabia exatamente onde ficava a casa, mas foram se baseando pelas informações repassadas por telefone.
Pega uma entradinha, cruza aquela outra, passam por um trecho em que  estrada parecia estar sendo engolida pela mata que crescia nas margens, causando ainda maior escuridão principalmente por se tratar de um final de tarde de inverno onde o sol se põe cedo.
E depois de cortar colinas finalmente do alto de um morro avistaram a casa que pensaram ser o local da assistência técnica solicitada. Ainda do alto avistaram um velho que caminhava no quintal com sua bengala admirando os pássaros e uma velhinha que varria o terreiro ao redor da casa. Na baixada do lançante passaram por mais uma curva encoberta pela mata onde a casa se perdeu de vista e mais 400 metros chegaram até a casa.
Quando o "bico" da Fiorino chegou no terreiro bem limpo ao redor da casa os "guris" não enxergaram mais o casal de velho, apenas a vassoura gasta pelo uso estava encostada em uma árvore.
Desceram, bateram palmas, chamaram e nada. Olharam ao redor da casa e nada, até que o Junior percebeu algo estranho. O terreiro estava limpinho, ainda com sinal de ter sido varrido naquele momento, mas a casa estava toda com sinal de "tapera". Com teias de aranha tomando conta das abas e oitões, um pé de guajuvira crescia em uma fenda que o tempo fez na área da casa.
Apesar de acharem muito estranho embarcaram os dois e resolveram ir adiante até encontrar mais moradores para pedir maiores informações.
O sangue correu agitado nas veias deles quando ao chegarem no local onde realmente era para ser feito o serviço os clientes ao ouvirem os relatos disseram que naquela casa morava sim um casal de idosos que nunca tiveram filhos, mas os dois já haviam sido mortos a muitos anos e desde então nunca mais ninguém morou no local. Eles ainda falaram que não foram os primeiros relatos dessas aparições, falaram ainda que o finado gostava de tocar gaita e em noites de pouco vento é possível ouvir de longe o som triste e abafado da velha gaita vindo da direção de onde ainda resiste ao tempo ruínas da velha casa.

OBS: Os causos que eu conto aqui, com minha assinatura, ou seja, os causos que acontecem em Três Palmeiras como esse por exemplo, contados por mim ou por algum amigo são uma mistura de ficção com realidade. Obviamente não são realidade total mas sempre tem um pingo de verdade no colorido da ficção.
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segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Acolherar - dicionário Gaúcho

No linguajar dessa gauchada xucra é comum ouvirmos a palavra "Acolherar", acolherar no dicionário gauchês é o mesmo que ajoujar, se não te ajudou em nada vamos tentar definir melhor.

Acolherar: Unir dois animais através de ajoujo ou guasca, nas pessoas pode-se dizer para definir Agrupar, Unir.

Na imagem ao lado você vê uma junta de bois Acolherados através de um ajoujo ( Pra você que não tem ideia do que é te explico, é aquela cordinha nas aspas).
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Pedido exagerado - Piada

O cara tinha brigado com a namorada e estava perambulando pelas ruas da cidade com raiva do mundo e tentando entender o que tinha acontecido pra ela ter deixado dele.
La ia ela pela cidade chutando latinhas e até chutando o balde (literalmente), até que chutou uma lâmpada mágica, dessas que vem com gênio dentro e tudo.
- Olá. Disse o gênio.
- Você tem direito a fazer um pedido.
- Um pedido? Nem tente me enganar seu gênio, eu conheço as regras e sei que são 3.
- Mas essa crise meu filho. Você não vê o que está acontecendo la em Brasilia?
- Apenas um e não difícil de realizar.....

Agora veja o vídeo para conhecer o resto.

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Dia de Formatura - Letra e vídeo

Olá amigo (a) leitor(a). Esse blog não é de música mas de quando em quando posto aqui uma música que traz uma história em sua letra, com a música "Dia de Formatura" não é diferente. Tem uma letra que arrepia e ao mesmo tempo é uma verdade tão conhecida!

Narrando a difícil tarefa em que uma mãe tem em cuidar de um filho sem a presença de um pai, de uma família. Tendo que dividir sua vida entre os cuidados com a criança, o trabalho, a própria diversão. Sendo mãe e pai ao mesmo tempo e fazendo de tudo para que o filho se torne homem formado, homem de caráter ao contrário do que o pai foi.
Sem dúvida uma linda música pra você compartilhar agora mesmo.


Dia de Formatura


Se ele perguntar. Se me filho hoje me perguntar
Onde está papai? Por que nunca veio nos visitar?
Se ele perguntar, hoje que se forma e se faz doutor
Onde está papai? Eu vou lhe contar desse meu amor.

Seu pai quando soube que eu teria um filho
Nosso primeiro Não quis aceitar e só quis matar seu primeiro herdeiro
Preferi perder meu marido, o homem que eu mais queria 
Para ter você, que já carregava e não conhecia. 

Se ele perguntar, hoje estou disposta a falar a verdade
Seu pai não morreu , anda por aí na mesma cidade
Se ele perguntar, por que até hoje eu ainda me humilho Ele vai
saber que homem que é homem, não mata um filho.

Eu parti pra luta Fui lavadeira, enfrentei a vida
Mas ganhei a guerra Pois nessa terra, nada me intimida. Mas valeu à pena
Enfrentei sozinha esta vida dura pra chegar aqui, assistir agora, essa formatura.

Se ele perguntar, pode ser até que nem lhe diga nada. Começo a chorar
Pelo que passei nessa longa estrada
Se me perguntar. Por que chora tanto, mamãe me diz?
Eu vou lhe explicar que nunca até hoje, fui tão feliz.
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sábado, 10 de dezembro de 2016

Os dez mandamentos do chimarrão


1- NÃO PEÇAS AÇÚCAR NO MATE

O gaúcho aprende desde piazito o porquê o chimarrão se chama também mate amargo ou, mais intimamente, amargo apenas. Mas se tu és de outros pagos, mesmo sabendo, poderá achar que é amargo demais e cometer o maior sacrilégio que alguém pode imaginar nesse pedaço do Brasil: pedir açúcar. Pode-se por água, ervas exóticas, cana, frutas, dollar, etc… mas jamais açúcar. O gaúcho pode ter todos os defeitos do mundo, mas não merece ouvir um pedido desses. Portanto, tchê, se a erva-mate te parece amarga demais, não hesites, pede uma coca-cola com canudinho. Tu vais te sentir bem melhor.

2- NÃO DIGAS QUE O CHIMARRÃO É ANTI-HIGIÊNICO

Tu podes achar que é anti-higiênico por a boca onde todo mundo põe. Claro que é. Só que tu não tens o direito de proferir tamanha blasfêmia em se tratando de chimarrão. Repito: pede uma coca-cola de canudinho. O canudo é puro como a água de sanga

3- NÃO DIGAS QUE O MATE ESTÁ QUENTE DEMAIS

Se todos estão chimarreando sem reclamar da temperatura da água, é porque ela é perfeitamente suportável por pessoas normais. Se tu não és uma pessoa normal, assume tuas frescuras. Se, porém, te julgas perfeitamente igual aos demais, faze o seguinte: vai para o Paraguai. Tu vai adorar a erva-mate de lá.

4- NÃO DEIXES UM MATE PELA METADE

Tu deves tomar toda a água servida até ouvir o ronco da cuia vazia. A propósito, leia logo o mandamento abaixo.

5- NÃO TE ENVERGONHES DO “RONCO” NO FIM DO MATE

Se, ao acabar o mate, sem querer fizer a bomba “roncar”, não te envergonhes. Está tudo bem, ninguém vai te julgar mal-educado. Esse negócio de chupar sem fazer barulho vale para a coca-cola com canudinho que tu podes até tomar com o dedinho levantado (fazendo pose de assumida).

6- NÃO MEXAS NA BOMBA

A bomba de chimarrão pode muito bem entupir, seja por culpa dela mesma, da erva ou de quem preparou o mate. Se isso acontecer, tens todo o direito de reclamar. Mas por favor, não mexas na bomba. Fale com quem te passou o mate ou com quem lhe passou a cuia. Mas não mexas na bomba, não mexas na bomba e, sobretudo, não mexas na bomba.

7- NÃO ALTERE A ORDEM EM QUE O MATE É SERVIDO

Roda de chimarrão funciona como cavalo de leiteiro. A cuia passa de mão em mão, sempre na mesma ordem. Para entrar na roda, qualquer hora serve, mas depois de entrar, espera sempre a tua vez e não queiras favorecer ninguém, mesmo que seja a mais prendada prenda do estado.

8- NÃO CONDENES O DONO DA CASA POR TOMAR O PRIMEIRO MATE

Se tu julgas o dono da casa um grosso por preparar o chimarrão e tomar ele próprio o primeiro mate, saibas que o grosso és tu. A erva é dele o animal!.

9- NÃO DURMAS COM A CUIA NA MÃO

Tomar mate solito é um excelente meio de meditar sobre as coisas da vida. Tu mateias sem pressa, matutando. Agora, tomar chimarrão numa roda é muito diferente. Aí o fundamental não é meditar, mas sim integrar-se à roda. Numa roda de chimarrão, tu falas, discutes, ris, xingas, enfim, tu participas de uma comunidade em confraternização. Só que essa tua participação não pode ser levada ao extremo de te fazer esquecer a cuia que está na tua mão. Fala quanto quiseres mas não esqueças de tomar o teu mate que a moçada tá esperando.

10- NÃO DIGAS QUE O CHIMARRÃO DÁ CÂNCER NA GARGANTA

Pode até dar. Mas não vai ser tu, que pela primeira vez pega na cuia, que irás dizer, com ar de entendido, que a erva-mate é cancerígena. Se aceitaste o mate que te ofereceram, toma e esqueces o câncer. Se não der para esquecer, faz o seguinte: pede uma coca-cola com canudinho que faz muito bem!
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sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

O guarda-chuva - Causos de Assombração

Vou contar um causo pra vocês que me arrepia só de lembrar.
Viajava pela estrada de terra um moço que resolveu se aventurar rumo a outra cidade em busca de aproveitar a sua mocidade apesar de contrariar a vontade dos pais em viajar naquela Sexta-feira Santa. Montou em seu cavalo e partiu sem rumo algum e sem dia para voltar.
Andou por várias léguas até chegar em uma pequena cidade onde procurou uma hospedaria para passar o resto daquela noite.
Ao deitar teve um sonho bastante confuso que enquanto ele andava á cavalo pela estrada mesmo sendo a noite, sombras e vultos o acompanhavam estrada a fora, de quando em quando ele jurava sentir a presença de um ser agarrado em suas costas. Em outros momentos os espíritos estavam sempre acompanhando ele, não adiantava apressar o galope do cavalo que os vultos nunca ficavam para trás.
O mais engraçado que ele acordou desse sonho lá pelas 6 horas da matina com o uivar de um cachorro do mato bem embaixo da janela ainda se mesclando com o sonho.

O dia passou como um galope e logo chegou a noite e com ela um Baile de Aleluia. La se foi o jovem para o baile todo esperançoso de arranjar namorada, e realmente encontrou uma garota muito linda a qual se apaixonou de imediato, como dizem, foi amor a primeira vista. Dançaram a noite toda. Ele nunca tinha se divertido tanto em tão pouco tempo, mas eis que pouco antes da meia noite a moça disse que precisava ir embora. 
A noite estava chuviscando e ele se ofereceu pra levar ela pra casa. Ela até ficou feliz pois não tinha guarda-chuvas,os dois saíram abraçados pela calçada escura e molhada contando história.

Chegaram lá na avenida e ela disse que daquele ponto em diante precisava partir sozinha, faltava 5 para meia noite, ele ainda insistiu mas ela não quis, como continuava chovendo ele fez questão que ela levasse o seu guarda-chuvas. Trocaram endereço e então ela iría pra casa dela, e ele foi pra pousada

No outro dia bem cedo levantou foi procurar a casa  da moça, bateu palmas no velho portão até que apareceu um homem que o mandou entrar. O rapaz com intenção de ver a moça aceitou o convite. Conversaram um pouco de tudo até que o rapaz criou coragem e perguntou do seu guarda-chuva que a sua filha havia levado pra se proteger da chuva na noite anterior. O velho então no primeiro momento se enraiveceu com tamanho atrevimento daquele estranho, mas ao ver o semblante inocente dele começou chorar. 
- A minha única filha eu a amava tanto mas está fazendo muito tempo que ela morreu. O moço pensou que se tratava de um engano e pediu se tinha alguma foto que ele pudesse vê-la, ao que prontamente foi atendido.
O rapaz quase desmaiou de susto, ao ver exatamente a moça pela qual se apaixonara na noite anterior.

-Não pode, ontem mesmo eu estive com ela. Dançamos a noite toda e depois vim com ela passeando na avenida...
O velho convidou o rapaz para que fossem ao cemitério e assim esclarecer a história de uma vez por todas.
Ao chegarem lá ambos se abraçaram e começaram a chorar. O guarda-chuva dele estava sobre a sepultura com a foto da linda jovem, aquela mesmo que ele tinha passado tão lindas horas.

Por: Jaciano Eccher
Adaptado de : A capa do Viajante.
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O fantasma do cavalo - Causos de assombração

Imagem meramente ilustrativa da internet
Tarde da noite, meu irmão Giovani voltava da cidade de Três Palmeiras-RS da casa da namorada, o fato aconteceu la por 2007 mais ou menos.
No frio do inverno que só quem mora no sul conhece, Giovani calmamente coloca luvas, toca, jaqueta, se despede da namorada e embarca em sua moto. Saiu pelas ruas escuras e frias da pequena cidade em direção ao acesso a RS 324, no caminho um gambá ladrão invadia o terreno de uma casa parecendo um verdadeiro "bandidinho" esfregando as mãos como que para espantar o frio.
Já no trevo de acesso a cidade ele pega a esquerda sentido a comunidade de Linha Alto da Serra. Nas margens da RS já era possível ver sinais de um dia que iria amanhecer com as colinas brancas de geada.
Não sei se pelo frio que fazia ou porque era sábado a noite mas aquele dia quase não tinha transito. Ao fazer a curva próximo ao posto de combustível Giovani enxergou bem no meio do asfalto um homem que ia a pé puxando seu cavalo. Imediatamente ele tratou de frear a moto o quanto pode pois na hora imaginou se tratar de algum bêbado. Grande foi o seu espanto ao ver que no sentido contrário descia em alta velocidade um caminhão e o encontro Moto-cavalo-Caminhão aconteceria bem na curva e não tinha mais tempo para frear, o acidente aconteceria nos próximos milésimos de segundo, Giovani só teve tempo de tirar a moto no acostamento ao mesmo tempo que o homem e seu cavalo cada vez mais invadiam a pista contrária indo direto de encontro ao caminhão.
No momento do impacto Giovani só fechou os olhos para não ver o estrago, mas aí a surpresa aconteceu. O caminhão não fez menção nenhuma de frear ou tentar desviar e o homem e seu cavalo sumiram de encontro ao caminhão.
Giovani até voltou para ver se adiantava socorrer, mas não tinha destroços, não tinha marca de freio, não tinha sangue na pista, enfim, não tinha vítima. Nem sinal do homem, nem sinal do cavalo, nem vivos e nem mortos. Ele até olhou por mais algum instante até que uma arrepio percorreu todo seu corpo e ele não olhou mais pra traz até chegar em casa.

OBS: Os causos que eu conto aqui, com minha assinatura, ou seja, os causos que acontecem em Três Palmeiras como esse por exemplo, contados por mim ou por algum amigo são uma mistura de ficção com realidade. Obviamente não são realidade total mas sempre tem um pingo de verdade no colorido da ficção.
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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

O cusco esperto - Causos de gaúcho pescador

Lazaro tinha um cachorro que só faltava falar! Era um cusco viadeiro, que andava sempre com ele nas lidas de campo e nas voltiadas pelo pago. Quando o Lazaro namorava, o diabo do guaipeca saía pelos campos arrancando flor com a boca, pra trazer pra moça... De uma feita, o Lazaro e um conhecido, que também tinha um cachorro ensinado, só que pastor alemão, começaram a discutir qual era o melhor. Discutiram, gritaram, quase brigaram e terminaram jogando na frente de um povaréu que se juntou pra ver. E aí começou: tudo o que um cachorro fazia o outro fazia, igual ou melhor. Lá pelas tantas, desesperado, o adversário do Lazaro atirou longe uma brasa de angico do tamanho de um punho e disse pro Lazaro:
 - Agora manda o teu cachorro buscar!... O Lazaro só estalou os dedos e o cusco saiu que era uma flecha. Chegou na brasa, cheirou bem, deu três voltas em redor, ergueu a patinha e mijou em cima, apagando-a. Ainda fumaceando, abocanhou-a e trouxe o carvão até os dois discutidores.

Causo de Antonio Augusto Fagundes adaptado por Jaciano Eccher.
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quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A gorjeta - Mensagem

Um menino de rua, de 12 anos, entrou numa sorveteria, sentou-se em uma mesa e perguntou para a garçonete que passava:

– Quanto custa um sorvete?

– 3,00 – respondeu a moça.

O menino tirou algumas moedas do bolso e começou a contá-las bem devagar para não errar. Ele havia passado a manhã toda catando latinhas e tinha apurado aquele dinheiro: (Continue lendo abaixo do vídeo)
– Quanto custa o picolé mais barato?

A essa altura, já havia mais pessoas esperando para serem atendidas, e a garçonete estava perdendo a paciência.

– 2,00 – respondeu ela, de maneira brusca.

O menino, mais uma vez, contou as moedas e disse:

– Eu vou querer, então, o picolé de 2,00.

Após alguns minutos, a garçonete trouxe o picolé e a conta, colocou-os na mesa e foi atender outros clientes.
O menino terminou o picolé, pagou a conta no caixa e saiu.
Quando a garçonete voltou para limpar a mesa, sentiu uma dor profunda no peito e começou a chorar. Na mesa, o garoto havia deixado 1,00 todo de moedas. Ele havia escrito em um guardanapo: - Esta gorjeta é para a senhora. É pouco, mas é de coração. Deus te abençoe. Com isso, ela percebeu que o menino tinha pedido o picolé mais barato para que sobrasse uma gorjeta para ela. Mesmo ela tendo sido ríspida com o garoto!
...Quantas vezes temos a oportunidade de abençoar alguém, sacrificando apenas uma parte do que temos e não o fazemos? Quantas vezes julgamos as pessoas pela aparência, e não pelo seu coração?
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E o som da gaita foi enfraquecendo, enfraquecendo.... Causos de gaúcho pescador

Um tal de Lazaro foi convidado pra tocar num baile na linha Caneleira próximo a Barragem, Rio Passo Fundo, em Três Palmeiras... Frio de renguear cusco, com uma gauchada dançando e tomando canha pra não encarangar. O Lazaro começou a tocar logo depois da bóia e lá pela meia noite  vocês não vão acreditar! O som da gaita começou a diminuir, diminuir e foi desaparecendo. Ele ainda insistiu e tocou mais um pouco, afundando as teclas da gaita, mas completamente sem som. À uma hora da madrugada o baile parou, porque não se ouvia mais o instrumento. No outro dia, lá pelas onze da manhã, quando o sol esforteou, se derramou por aquelas coxilhas um barulhão de gaita que não acabava mais: era bugio, era vanera, era xotes, era polca, tudo! Sabem o que tinha acontecido? Com o frio, até a música tinha se congelado. Só derreteu com o sol do outro dia, a aí, sim, se ouviu tudo...

Causo de Antonio Augusto Fagundes adaptado por Jaciano Eccher.
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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O Gaúcho na Reunião Social - O que você faria?


Você está numa reunião social, daquelas que há lugares de sobra para sentar mas todo mundo senta no chão. Você não quis ser diferente, se atirou num almofadão colorido e tarde demais descobriu que era a dona da casa.

Sua mulher ou namorada está tendo uma conversa confidencial, de mãos dadas, com uma moça que é a cara do Charlton Heston, só que de bigode.

O jantar é à americana e você não tem mais um joelho para colocar o seu copo de vinho enquanto usa os outros dois para equilibrar o prato e cortar o pedaço de pato, provavelmente o mesmo do restaurante francês, só que algumas semanas mais velho.

Aí o cabeleireiro de cabelo mechado, ao seu lado oferece:

- Se quiser usar o meu..
- O seu...?
- Joelho.
- Ah...
- Ele está desocupado.
- Mas eu não o conheço.
- Eu apresento. Este é o meu joelho.
- Não. Eu digo, você...
- Eu, hein? Quanta formalidade. Aposto que se eu tivesse oferecendo a perna toda você ia estar pedindo referências. Ti-au.

O que você faria? ( Comente abaixo)

1 - Resolve entrar no espírito da festa e começa a tirar as calças:

2 - Leva seu copo de vinho para um canto e fica, entre divertido e irônico, observando aquele curioso painel humano e organizando um pensamento sobre estas sociedades tropicais, que passam da barbárie para a decadência sem a etapa intermediária de civilização; ou

3 - Pega sua mulher ou namorada e dá o fora, não sem antes derrubar o Charlton Heston com um soco.
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Veja se você é Gaúcho de Galpão ou é Puuuuto mesmo!!!!!

Bom vamos ver se você é macho mesmo Gaúcho de Galpão, ou é um boiola, viado, bichinha, fresco libélula, marricas, puuuuuuuuuuto!!! É, acho que você entendeu!!!
  • Você tem gato de estimação? Puuuuuto! O gato por si só é muito afrescalhado, faz cocô e xixi enquanto Gaúcho de Galpão caga e mija. E ainda usa uma caixinha pra enterrar, Gaúcho de Galpão tem cachorro, na verdade CUSCO, que caga em qualquer canto e não ta nem aí pros vivente afrescalhados.
  • Gosta de comida chinesa? Puuuuto. Gaúcho de Galpão gosta é de churrasco, arroz a carreteiro, comida bruta, nada de muita frescura.
  • Gosta de coquetel? Puuuuto! Coquetel, caipirinha com frutinhas, guarda-chuvinha, moranguinho é coisa de puto! Gaúcho de Galpão gosta de canha pura ou se for caipira é apenas quatro ingredientes, canha, gelo, açúcar e limão.
  • Você reparou que seu amigo ta com a mesma camisa de ontem? Puuuto! Gaúcho de Galpão não ta nem aí se o cara usa a mesma camisa dois dias seguidos, a semana toda, o mês inteiro ou pra sempre. Aliás ele nem percebe.
  • Você gosta de chupar picolé? Puuuto! Não pelo caso do picolé em si, mas a palavra "chupar não faz parte do dicionário do Gaúcho de galpão, ele come o picolé a dentada. Só tem uma situação que eu não vou mencionar aqui que o GG usa a palavra Chupar.
  • Você sabe nome de muita coisa na padaria? Puuuuto! Gaúcho de Galpão só conhece pão, pastel, xis e bolacha quando muito. Se você começa pedir beijinho, queijo Filadélfia, lombo canadense é muito fresco.
  • Você pede meia porção de alguma coisa? Puuuuto. Gaúcho de Galpão não fica pedindo meia porção, meia dose ou pior pede light ou diet. Ele golpeia a dose num talagasso só e come aquela porção, a outra, a outra ainda e ainda a próxima... Ah, enquanto aguarda o churrasco que essa sim é comida de Gaúcho de Galpão.
  • Gosta de Funk? Puuuuto! Gaúcho de Galpão gosta de xote, vanera, vanerão, bugiu. Quem gosta de ficar rebolando muito é puto mesmo!
  • Você não vai compartilhar essa postagem porque tem muito palavrão? Puuuuto! Gaúcho de Galpão vai se identificar com isso e vai compartilhar agora mesmo pois não ta nem ai para o que a frescalhada vai pensar disso.
E então descobriu se á Gaúcho de Galpão ou de Apartamento?
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segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Gaúcho fazendo Ioga - O que você faria?

Você foi convencido pela sua mulher, namorada ou amiga - se bem que gaúcho que é gaúcho não tem "amigas", quem tem "amigas" é veado - a entrar para um curso de Sensitivação Oriental.

Você reluta em vestir a malha preta, mas acaba sucumbindo. O curso é dado por um japonês, provavelmente veado.

Todos sentam num círculo em volta do japonês, na posição de lótus. Menos você que, está um pouco fora de forma, pode sentar na posição de arbusto despencado pelo vento.

Durante quinze minutos todos devem fechar os olhos, juntar a ponta dos dedos e fazer "Ron", até que se integrem na Grande Corrente Universal que vem do Tibet, passa pelas cidades sagradas da Índia e do Oriente Médio e, estranhamente, bem em cima do prédio do japonês, antes de voltar para o Oriente.

Uma vez atingido este estágio, todos devem virar para a pessoa ao seu lado e estudar seu rosto com as pontas dos dedos, não se surpreendendo se o japonês chegar por trás e puxar suas orelhas com força para lembrá-los da dualidade de todas as coisas.

Durante o "Ron" você faz força, mas não consegue se integrar na grande corrente universal, embora comece sentir uma sensação diferente que depois revela-se ser cãibra. Você:

O que você faria? (responda aqui em baixo)

1 -Finge que atingiu a integração para não cortar a onda de ninguém?

2 - Finge que não entendeu bem as instruções, engatinha, fazendo "Ron", até ao lado daquela grande loura, e na hora de tocar o seu rosto erra o alvo e agarra os seus seios, recusando-se a soltá-los mesmo que o japonês quase arranque suas orelhas?

3 - Diz que não sentiu nada, que não vai seguir adiante com aquela bobagem, ainda mais de malha preta, e que é tudo coisa de veado?
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sábado, 3 de dezembro de 2016

Polenta de milho verde (receita com vídeo explicativo)

Meus amigos está chegando o momento de "Caçar Tatu". Isso mesmo, logo teremos milho verde por aí então se você é desses que  "Ata uma borsa atrais duma bicicreta véia", então não vai deixar de ver o vídeo abaixo explicando tudo, desde o momento da "compra" do milho até o momento de saborear a deliciosa poenta, tudo é claro com muito humor.



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O Fantasma do Gaúcho - Causos de Galpão - Causos de Assombração

Acordou, mas continuou deitado, apenas esperando o cantar do galo para pular da cama. Uma boa espreguiçada, um longo bocejo e saltou. Enxaguou a boca, um tapa d’água no rosto, uma ajeitada na melena e se foi pra o galpão. Prepara o fogo, o mate, puxa o banco e, enquanto a água aquenta, fecha um palheiro. A noite foi fria!

Na calma da madrugada, ainda com o clarão da lua, dá para ver a “tordilha” que caiu. A água já está pronta. Em uma das mãos a cuia, a outra, que se apóia no joelho, ora sai para alçar a cambona e encher o mate, ora para levar o palheiro a uma tragada. O galo canta de novo, trazendo o pensamento do xiru de volta.
O vivente remecheu nas brasas e o clarão do fogo faz as sombras dançarem pelo chão e pelas paredes. No santa-fé da quincha, pendentes de picumã também participam da dança, fazendo silhuetas as vezes assustadoras provocadas pelo minuano que vem das frestas, trazendo a aragem da geada.

 O mate continua, o palheiro fumega, a cambona é enchida mais uma vez. O calor do fogo e do mate aquece o corpo e a alma, daquele gaudério solitário enquanto negócios, compromissos, cambichos, parceiros que já partiram, são relembrados.

Um estalo no fogo chuvisca o galpão de faíscas. Talvez fosse um daqueles que pediu permissão ao Patrão do Céu, para dar um volteio, e ao se achegar para o mate enroscou a espora no tição? Quem sabe!?
Lembra ele de um velho amigo que a muito tempo tinha morrido domando um cavalo xucro, e sempre nas rodas de mate confidenciara que quem partisse primeiro deveria voltar aos pagos para matiar junto onde existisse um fogo de chão.
O xiru tem quase a certeza de que há pouco ouviu um Oh de casa! Estranhou, porque a cachorrada não deu sinal nenhum... É só podia mesmo ser esse taura que sempre fora parceiro e resolveu agora fazer uma visita ao gaúcho solitário.

Causo de Deroci Freitas de Moraes de Santa Maria, adaptado por Jaciano Eccher.
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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

O Tiburcio e o Caixão - Causos de Galpão

Certa feita, num domingo à tarde, sentado na ponte da Linha Nova, sobre o Rio Bitaca
Tiburcio aguardava uma carona, que o levasse, vadio como ele só, preguiça de caminhar.

Eis que surge um carro de funerária, levando um caixão
para um defunto que acabara de falecer lá pras bandas de Constantina-RS. O Tiburcio, então, pediu uma carona e foi atendido.
Dali a pouco começou a cair um chuvarada daquelas, e o carro funeral era uma Rural willys. Sem se apertar, o Tiburcio velho entrou no caixão e, mais do que depressa, fechou a tampa, protegendo-se da chuva.
Mais adiante, outras pessoas também pegaram carona. E, uma vez em cima da picape,
como é próprio do pessoal da campanha, que acredita em assombração e outros bichos
mais, todos passaram a olhar, desconfiados, para aquele caixão de defunto fechado.
Vai daí que lá pelas tantas começou a esquentar no interior do caixão, e o Tiburcio velho,
abrindo a tampa de sopetão, perguntando: 
- E daí, indiada? Como é que tá o tempo aí fora chê? 

Barbaridade! Foi vivente saltando pra todo o lado e se boleando pelos barrancos da
estrada. Dizem que teve gente que correu mais de dez léguas, e tem outros correndo até agora!
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quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O Tiburcio e os Tiras - Causos de Galpão

O Tiburcio era uma figura rara e muito conhecida la no Baitaca. Sempre bem pilchado, com uma bombacha de favo, lenço, guaiaca e demais indumentárias. A coisa que o vivente mais gostava de fazer era mexer com os brigadiano. Certa feita, Tiburcio colocou um trabuco na cintura e inticou com os milicos. Os policiais correram atrás do xiru, tomaram-lhe a arma e lhe deram uma baita tunda de laço. O Tiburcio, em seguida, foi em casa, voltou, e tornou a fazer a mesma coisa. Não deu outra: os brigadianos cagaram-lhe de pau novamente. Depois, sentou-se no banco da praça e, ali, bolou um novo plano. Foi até a padaria do Tarciano, comprou dois pães d'água e colocou-os na cintura. Depois, passando em frente dos brigadianos, mostrou-lhes o volume formado nas suas roupas. Os policiais militares não tiveram dúvidas: correram de novo atrás do Tiburcio. E ele, correndo mais do que eles, entrou na delegacia e colocou-se, rapidamente, em frente ao delegado. levantando a camisa, gritou:

- Seu Delegado, vim agora la do Tarciano e esses milicos querem me tomar "os pão" de tudo quanto é jeito.! 
Os brigadianos ficaram com a maior cara de "nenê cagado" ao constatarem que o Tiburcio, daquela feita, não tinha mais armas na cintura, mas apenas pães.
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